quinta-feira, 6 de junho de 2013

Ser professor



Ser professor é ser um sacerdote

Uma vez li o sentido da palavra “sacerdócio” e descobri que a mesma significa “Dom Sagrado”. Isto nunca saiu da minha cabeça.
Quando comecei a pensar sobre o que iria fazer quando concluísse o ensino médio, esta palavra ficou ainda mais forte, mas eu não queria ser padre.
Eu realizei diversos testes vocacionais e cursei economia. Entretanto, apesar de ter adorado a graduação, não me identifiquei com a profissão.
A palavra sacerdócio continuou a me indagar.
Há pouco mais de seis anos resolvi ser professor. E parei de pensar nesta palavra.
Recebi muitas críticas. Como pode alguém desistir de ser economista para ser professor? Você vai ser um sofredor, entre tantos outros comentários.
Em 2011, eu tive uma experiência inarrável na minha profissão.
Na escola em que lecionava, pude acompanhar uma professora readaptada em uma atividade com um aluno. Foi um trabalho muito difícil e exigiu muito de mim. Foram tantas atividades fora do horário de aula, e como todos sabem professor não recebe hora extra.
Após alguns meses de trabalho, conseguimos resolver o problema. Naquele momento compreendi que ser professor é muito mais do que ser um profissional, é preciso conhecer muito mais do que a ciência a ser lecionada é preciso conhecer a alma para quem vamos lecionar.
Então, compreendi que ser professor também é ser um sacerdote.
Resolvi partilhar com vocês esta passagem da minha vida, porque este ano estou tendo a oportunidade de fazer um curso em que dentre tantos assuntos estamos refletindo sobre a “Leitura e a Escrita”.
Ler e escrever não é apenas componentes da Língua Portuguesa. A leitura excede a palavra, pois está intrínseco na pessoa humana que não é possível separar-se dela.
A leitura faz parte da vida, da história de cada um. É como uma célula. Um gene, o sangue que todos têm.
A escrita é a memória de cada um. É a sua história. Seu histórico.
E o mais fascinante de tudo isso é que partilhando com outros educadores as experiências de cada um, percebe-se que todos, sem exceção, independente da origem tem uma relação memorável com a Leitura e a Escrita.

Mário Meireles.
Professor de Matemática

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